quinta-feira, 30 de junho de 2011

O comunismo matou 100 milhões de seres humanos! Por que a foice e o martelo ainda não foram proibidas?


Esta página é um resumo do artigo “o livro negro do comunismo”, de Roberto Campos. O artigo esclarece a violência do comunismo no mundo. Esclarece também os motivos do regime militar (“anos de chumbo”) ocorrido no Brasil e em outros países do Terceiro Mundo na época da Guerra Fria. O artigo original, de Roberto Campos, publicado pela Folha de S. Paulo em 19/04/98, começa assim:

Ao contrário das ditaduras latino-americanas, a violência comunista se tornou um instrumento político-ideológico fazendo parte da rotina de governo. Essa sistematização do terror não é rara na história humana, temos exemplos na Revolução Francesa do século XVIII; no extermínio de judeus pelos nazistas.

De acordo com "Le livre noir du communisme" o comunismo superou todos esses casos e foi sem dúvida o experimento mais sangrento de toda a história humana.

O comunismo produziu quase 100 milhões de vítimas, em vários continentes, raças e culturas, indicando que a violência comunista não foi mera aberração da psique eslava, mas, sim, algo diabolicamente inerente à engenharia social marxista, que, querendo reformar o homem pela força, transforma os dissidentes primeiro em inimigos e, depois, em vítimas.


Os números do comunismo estão assim classificados por ordem de grandeza: China (65 milhões de mortos); União Soviética (20 milhões); Coréia do Norte (2 milhões); Camboja (2 milhões); África (1,7 milhão, distribuído entre Etiópia, Angola e Moçambique); Afeganistão (1,5 milhão); Vietnã (1 milhão); Leste Europeu (1 milhão); América Latina (150 mil entre Cuba, Nicarágua e Peru); movimento comunista internacional e partidos comunistas no poder (10 mil).

O comunismo fabricou três dos maiores carniceiros da espécie humana - Lênin, Stálin e Mao Tse-tung. Lênin foi o iniciador do terror soviético. Enquanto os czares russos em quase um século (1825 a 1917) executaram 3.747 pessoas, Lênin superou esse recorde em apenas quatro meses, após a revolução de outubro de 1917.

Fidel Castro é o campeão absoluto da "exclusão social", pois 2,2 milhões de pessoas, 20% da população de Cuba, tiveram que fugir durante o regime comunista. Fidel criou uma nova espécie de refugiado, os "balseros", (fugiam de Cuba em balsas improvisadas), milhares dos quais naufragaram antes de alcançarem a liberdade.

A Guerra Fria alcançou seu apogeu nos anos 60 e 70. Nessa época alguns países do Terceiro Mundo deram início aos “anos de chumbo” (ditadura militar) para não caírem nas mãos dos comunistas. Houve intervenções militares no Brasil e na Bolívia em 1964, na Argentina em 1966, no Peru em 1968, no Equador em 1972, e no Uruguai em 1973.

Fenômeno idêntico ocorreu em outros continentes. Os militares coreanos subiram ao governo em 1961 e adquiriram poderes ditatoriais em 1973. Houve golpes militares na Indonésia em 1965, na Grécia em 1967 e, nesse mesmo ano, o presidente Marcos impunha a lei marcial nas Filipinas, e Indira Gandhi declarava um "regime de emergência". Em Taiwan e Cingapura houve autoritarismo civil sob um partido dominante, como medida preventiva.

Por mais lamentáveis que sejam, as violências e torturas denunciadas no Brasil, no período da ditadura militar, tornam-se insignificantes perto das brutalidades do comunismo cubano, minudenciadas no "Livre noir".

O regime comunista de Fidel Castro fuzilou entre 15 mil e 17 mil pessoas (sendo 10 mil só na década de 60), o número de mortos e desaparecidos no Brasil, entre 1964 e 1979, seria em torno de 288 segundo a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal; e de 224 casos comprovados segundo a Comissão de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça. Portanto, os males causados pela ditadura militar brasileira perdem de longe para os males causados pelo “socialismo real” cubano.

Em 1978, quando em nosso Congresso já se discutia a "Lei da Anistia", havia em Cuba entre 15 mil e 20 mil prisioneiros políticos, número que declinou para cerca de 12 mil em 1986. Em 1997, 38 anos depois da Revolução, ainda havia, segundo a Anistia Internacional, entre 980 e 2.500 prisioneiros políticos na ilha. Em matéria de prisões e torturas, a tecnologia cubana era altamente sofisticada, havendo, inclusive, tortura "merdácea", pela imersão de prisioneiros na merda.

Não houve prisões brasileiras comparáveis a La Cabaña (onde ainda em 1982 houve 100 fuzilamentos). Estranhamente, artistas e intelectuais que denunciavam a tortura brasileira, visitam Cuba e chegam a tecer homenagens a Fidel e a seu algoz-adjunto, Che Guevara.

Causa-me infinda perplexidade a "angelização" de Fidel e a "satanização" de Pinochet por parte de algumas pessoas. Pinochet foi ditador por 17 anos; Fidel está no poder há 39 anos. Pinochet promoveu a abertura econômica e iniciou a redemocratização do país, retirando-se após ser derrotado em plebiscito e em eleições democráticas como senador vitalício. Fidel Castro considera uma obscenidade a alternância no poder, preferindo submeter a nação cubana à miséria e à fome, para se manter ditador. Pinochet deixou a economia chilena numa trajetória de crescimento sustentado de 6,5% ao ano. Em termos de violência, o número de mortos e desaparecidos no Chile foi estimado em 3.000, enquanto Fidel fuzilou 17 mil!

Em suma, Pinochet submeteu-se à democracia e tem bom senso em economia. Fidel é um PhD em tirania e um analfabeto em economia. O "Livre noir" nos dá uma idéia da bestialidade de que escapamos se triunfassem, no Brasil, os radicais de esquerda. Lembremo-nos que, em 1963, Luiz Carlos Prestes declarava que: "nós, os comunistas, já estamos no governo, mas não ainda no poder".

Parece-me ingenuidade histórica imaginar que, na ausência da revolução militar de 1964, o Brasil manteria sua normalidade democrática. A verdade é que Jango Goulart não planejara sua sucessão, gerando suspeitas de continuísmo. E estava exposto a ventos de radicalização de duas origens: a radicalização sindical, que levaria à hiperinflação, e a radicalização ideológica, pregada por Brizola e Arraes, que podia resultar em guerra civil.

É sumamente melancólico - porém não irrealista - admitir-se que, nos anos 60, este grande país não tinha senão duas miseráveis opções: "anos de chumbo" ou "rios de sangue"...

Você quer saber mais?


http://www.renascebrasil.com.br/campos/comunismo.htm

http://www.renascebrasil.com.br/campos/marxismo.htm

http://www.lepanto.com.br/EstComunis.html

http://pensadoresbrasileiros.home.comcast.net/RobertoCampos/

segunda-feira, 18 de abril de 2011

UM RACISTA CHAMADO KARL MARX

Karl Marx é o herói de alguns líderes sindicalistas e organizações de direitos civis, inclusive aqueles que organizaram o recente protesto contra a legislação de imigração que foi proposta nos EUA. É fácil ser marxista para alguém que não leu o que Marx escreveu. A maioria das pessoas que leram concorda que as predições de Marx acerca do capitalismo demonstraram estar totalmente erradas.

O que a maioria das pessoas não sabe é que Marx era totalmente racista e anti-semita. Ele não dava importância aos mexicanos. Com relação à anexação da Califórnia depois da guerra entre o México e os Estados Unidos, Marx escreveu: “Sem violência, não dá para se chegar a realizar nada na historia”. Então ele diz: “Será que é falta de sorte que a magnífica Califórnia tenha sido tomada dos preguiçosos mexicanos que não sabiam o que fazer com ela?” Friedrich Engels, co-autor com Marx do Manifesto do Partido Comunista, acrescentou: “Nos Estados Unidos, testemunhamos a conquista do México e nos alegramos com isso. É para o interesse de seu próprio desenvolvimento que o México seja colocado sob a tutela dos Estados Unidos”. Pode-se achar muitas das idéias de Marx num livro escrito pelo ex-comunista Nathaniel Weyl, intitulado “Karl Marx, Racist” (1979).

Numa carta de julho de 1862 para Engels, em referência a Ferdinand Lassalle, seu competidor político socialista, Marx escreveu: “…é agora completamente evidente para mim que, como provam a formação de seu crânio e seus cabelos, ele descende dos negros do Egito, presumindo que sua mãe ou avó não tinha cruzado com um preto. Ora, essa união de judaísmo e germanismo com uma substância negra básica deve produzir um produto peculiar. A impertinência do camarada é também característica dos pretos”.

Engels também tinha muitas das convicções filosóficas raciais de Marx. Em 1887, Paul Lafargue, que era o genro de Marx, havia se candidatado a uma vaga num distrito de Paris que continha um zoológico. Engels afirmou que Paul tinha “um oitavo ou um décimo de sangue de preto”. Numa carta de abril de 1887 para a esposa de Paul, Engels escreveu: “Estando em sua qualidade como preto, um grau mais próximo do resto do reino animal do que o resto de nós, ele é sem dúvida alguma o representante mais adequado desse distrito”.

Marx e Engels tinham em comum uma idéia muito comum em toda a historia da humanidade até hoje: a idéia de que algumas pessoas são dotadas com inteligência e sabedoria superior, e foram nomeadas para impor à força essa sabedoria nas massas.

Dr. Walter E. Williams é um americano negro, professor de economia na Universidade George Mason em Fairfax, Va, EUA.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Memorial das Vítimas do Comunismo.

O Memorial das Vítimas do Comunismo - O objectivo deste memorial encontra-se expresso na sua respectiva inscrição: "Para os mais de cem milhões de vítimas do comunismo e para os que amam a liberdade."

No dia 23 de outubro de 2007, mesmo dia no qual Santos Dumont realizou em Paris o feito histórico do primeiro vôo do "mais pesado que o ar", em 1906, com o "14-Bis", o Senado Federal brasileiro rende homenagem a um serial killer comunista (desculpe o pleonasmo), Che Guevara, el chancho (o porco). A data foi escolhida a dedo pelos kamaradas brasileiros: nesse mesmo dia, os comunistas de todo o mundo comemoram os 90 anos da Revolução Russa, aquela que pariu a maior desgraça do século XX, a Peste Vermelha que Emir Sader chamou de "O ano I do assalto ao céu" ( Correio Braziliense, 21/10/2007, "Opinião", pg. 17). Isso prova que nosso País, nas últimas décadas, está sendo dirigido por um descarado governo comunofascista, que segue os preceitos do Foro de São Paulo, órgão esquerdista criado por Fidel Castro e Lula da Silva em 1990, o qual pretende transformar toda a América Latina em uma nova União Soviética, tendo Cuba como modelo e a Venezuela de Chávez como método de tomada do poder.

Em vez de homenagear um assassino, o qual, apesar de médico era uma "perfeita máquina de matar", o Parlamento brasileiro já deveria ter aprovado um projeto de construção de um Memorial das Vítimas do Comunismo, como o dos EUA , que será uma memória viva de todos os crimes cometidos pela Hidra Vermelha ao redor do mundo, especialmente na União Soviética, na China, no Camboja e em Cuba, e que deixou o saldo macabro de mais de 110 milhões de vítimas.

Já que é época da farra vermelha, agrego-me à festa dos distintos kamaradas para lembrar a heróica história de alguns dos dissidentes soviéticos, especialmente Alexandre Soljenítsin, que legou à humanidade o portentoso livro Arquipélago Gulag (1). E assim deixar minha modesta contribuição ao inexistente Memorial Brasileiro das Vítimas do Comunismo.

Na antiga URSS, não havia "opositores", mas apenas "dissidentes". Diz-se dos intelectuais perseguidos por se oporem ao regime comunista, que surgiram a partir da desestalinização efetuada por Kruschev, a partir de 1956. Os dissidentes eram condenados a molestamento, demissão do emprego, expulsão dos sindicatos profissionais, exames psiquiátricos e confinamento em casas de saúde mental, julgamento e exílio em campos de concentração para trabalhos forçados.

Durante o férreo regime de Stálin, poucos dissidentes conseguiram sobreviver, como o escritor Alexandre Soljenítsin e o talentoso projetista aeronáutico Andrey Tupolev, que foi preso no final da década de 1930 e libertado em 1943 por intercessão do marechal Alexandre Golovanov, Chefe do Comando de Bombardeiro de Grande Alcance, da Força Aérea Vermelha, durante a II Guerra Mundial.

Abraham Rothberg (2) identifica 3 correntes de dissidência russa: a artística, a política e a científica. A dissidência artística inclui nomes como Ehrenburg (Degelo), Dudintsev, Yevtushenko, Pasternak (Doutor Jivago), Soljenítsin (Arquipélago Gulag). A dissidência política: Yakir, Amalrik, Litvinov, Grigorenko, Marchenko. E a dissidência científica: Sakharov (pai da bomba de hidrogênio soviética), Tamm, Kapitsa, Medvedev.

Um dissidente famoso foi o escritor Boris Pasternak, que havia passado um ano na prisão de Lubianka (3), em Moscou, e quatro anos num campo de trabalhos forçados na Sibéria, do qual foi libertado (como Soljenítsin) pela anistia geral após a morte de Stálin. Em 1956, Pasternak concluiu Doutor Jivago, que foi rejeitado por várias editoras soviéticas, controladas pelos "herdeiros de Stálin".

Pasternak enviou uma cópia do romance a Giangiacomo Feltrinelli, editor italiano e membro do PCI. O livro foi publicado na Itália no dia 15 de novembro de 1957, embora Pasternak tivesse pedido a Feltrinelli para não fazê-lo, pois vinha sofrendo ameaças do regime de Moscou. No dia 23 de outubro de 1958, a Academia Sueca outorga o Prêmio Nobel de Literatura a Pasternak. Começa a perseguição contra o escritor e no dia 28 de outubro de 1958 ele é expulso da União dos Escritores Soviéticos, por "atitudes incompatíveis com a vocação de um escritor soviético e por contrariar as tradições da literatura russa, o povo, a paz e o Socialismo". A pressão do PC sobre Pasternak foi tanta que no dia 29 de novembro de 1958 ele enviou um telegrama à Academia Sueca, renunciando ao Prêmio Nobel. Pasternak morreu no dia 30 de maio de 1960, escapando de outra condenação, porém, sete semanas depois, a KGB prendia sua amante, Olga Ivinskaya (que havia denunciado Pasternak àquele serviço secreto), e sua filha, acusando-as de manipulações financeiras que envolviam royalties entregues a Pasternak. Ambas foram condenadas, no dia 7 de dezembro de 1960, respectivamente, a 8 e 5 anos de prisão, em colônias penais da Sibéria.

O escritor Sholkhov, em 1965, teve permissão de Brezhnew e Kosygin para receber seu Prêmio Nobel de Literatura em Estocolmo. O historiador ucraniano Valentyn Moroz foi condenado em 1966 a cinco anos de internamento num campo de concentração, dos quais um ano teria que ser passado numa solitária na Prisão de Vladimir. O principal "crime" de Moroz foi sua oposição à "russificação" da Ucrânia. No campo de concentração, Moroz escreveu Relatório da Reserva de Béria, em que ataca a sociedade soviética e os privilégios dos "herdeiros de Stálin". Em 1970, Moroz foi novamente condenado a nove anos, seis numa prisão e três num campo de trabalhos forçados. O historiador Andrei Amalrik, autor do livro A União Soviética Sobreviverá até 1984? (seria uma alusão ao livro 1984, de George Orwell?), foi condenado em dezembro de 1970 a três anos num campo de concentração. Outra obra sua foi Viagem Involuntária à Sibéria, baseada em suas próprias experiências no kolkhoz (4) siberiano de Tomsk, onde havia passado o exílio, de maio de 1965 a agosto de 1966.

"Por volta do fim de 1968, a reabilitação de Stalin ou a reestalinização tinha-se processado rapidamente. A crítica de crimes de Stalin, de prisões em massa, deportações, assassinatos, expurgos e campos de concentração tinha desaparecido da imprensa e das conversações privadas" (Abraham Rothberg, in Os Herdeiros de Stalin, pg. 264).

O Kremlin considerava graves as ameaças da liberalização, do revisionismo e da reforma. A liberalização tcheca tinha sido desencadeada por intelectuais e escritores, o que ocasionou a invasão da Tchecoslováquia, no dia 21 de agosto de 1968, com a destituição de Dubcek - "equivalente internacional de Soljenítsin".

Uma carta do dissidente Pyotr Yakir, em 6 de março de 1969, à revista do Partido, Kommunist, condenava Stalin em 17 pontos, documentados em fontes soviéticas, relacionando os crimes com o código penal soviético. Atribuía a Stalin a responsabilidade por suicídios e execuções de líderes de cúpula soviéticos no Partido, no Governo, nas Forças Armadas, nos serviços de Inteligência e na Polícia. Comunistas estrangeiros refugiados na União Soviética tinham sido assassinados por ordens de Stalin, incluindo comunistas proeminentes, como os alemães Hermann Schubert e Heinz Neumann, os húngaros Bela Kun e Gabor Farkas, os poloneses Tomasz Dombal e Yulian Lesczynski (um dos fundadores do PC polonês) e até o suíço Fritz Platten, que protegera Lenin com seu próprio corpo por ocasião do primeiro atentado contra a vida de Lenin. Yakir condenava Stalin, ainda, pela repressão e deportação em massa de povos não russos ("política do liqüidificador") durante e depois da II Guerra Mundial, entre eles os tártaros da Criméia, os bálcares, os chechenos-ingushes e os calmiques. Yakir condenava Stalin pelos expurgos que liquidaram 80% do corpo de oficiais superiores – aqueles que lutaram na Guerra Civil Espanhola, técnicos e intelectuais – com o resultado de milhões de baixas nas primeiras fases da II Guerra Mundial, especialmente no cerco nazista a Leningrado.

O dissidente mais famoso foi o escritor Alexandre Soljenítsin, autor de Arquipélago Gulag, livro que sugeria que toda a Rússia sob Stálin era semelhante a um imenso mar pontilhado de ilhas de campos de concentração – na grandiosa licença literária criada por Soljenítsin -, realidade que o autor conhecia profundamente, por ter sido enviado e um desses campos. O autor sustenta que as atrocidades e perseguições do Estado soviético haviam começado em 1918, não sendo, portanto, uma criação arbitrária de Stálin, mas de Lênin.


A publicação do Arquipélago Gulag, em Paris, no ano de 1973, no original russo, comoveu a opinião pública mundial – exceto a opinião dos comunistas, de além e aquém-mar, obviamente. O livro de Soljenítsin foi documentado com 227 relatos, que cobrem o período de 1918 a 1956, e trata da imensa rede de campos de trabalhos forçados soviéticos, por onde passaram cerca de 66 milhões de pessoas, segundo cálculos do próprio autor.

Essa obra, cujo teor começou a circular na União Soviética em março de 1969, irritou as autoridades soviéticas e em novembro do mesmo ano Soljenítsin foi expulso da União dos Escritores. Para os "herdeiros de Stálin", Soljenítsin renegava o próprio país, dando munição aos inimigos ocidentais, e era reincidente neste tipo de "crime", pois já havia publicado Um Dia na Vida de Ivan Denisovich (seu primeiro romance), em que retratava o Estado soviético como um Estado policial e a União Soviética como uma prisão ou campo de concentração. Dos 6.790 membros da União dos Escritores, somente 7 solicitaram a reconsideração da expulsão de Soljenítsin. Houve protestos do mundo inteiro contra sua expulsão, incluindo nomes como Arthur Miller, Günter Grass, John Updike, Bertrand Russell, Hannah Arendt, Graham Greene, Julian Huxley, Jean-Paul Sartre.

Soljenítsin, capitão de Artilharia do Exército russo em combate na linha de frente contra os nazistas, na II Guerra Mundial, foi detido no front de Koenigsberg em janeiro de 1945 e condenado, sem julgamento, a oito anos de prisão e mais três anos de exílio no desterro do Gulag, tendo passado pelo menos um ano em hospital para tratamento de câncer. A acusação baseou-se em carta enviada a um amigo, em que criticava os privilégios no Exército e a conduta de Stálin em relação à guerra. Foi expulso do Sindicato dos Escritores, viveu 6 anos como escritor clandestino e em 1970 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Após a publicação do Arquipélago Gulag, em 1973, Soljenítsin foi levado de avião, sob protesto, para a Alemanha Ocidental, e em 1974 escolheu a Suíça para morar. Além do Arquipélago Gulag, outros livros do escritor foram publicados no Ocidente, a exemplo de O primeiro círculo, Pavilhão dos cancerosos (durante um ano, Soljenítsin ficou internado num hospital para tratamento de câncer) e Agosto de 1914, que circularam na URSS em edições clandestinas, ou samizdat (5). Logo após sua prisão, o regime stalinista queimou os rascunhos do que poderia se tornar mais uma obra de Soljenítsin: "Até que, no quarto mês, todos os cadernos do meu Diário de guerra foram lançados na boca infernal do fogão da Lubianka, espalhando a casca vermelha de mais um romance morto na Rússia e deixando as borboletas negras da fuligem voar pela mais alta das chaminés" (Arquipélago Gulag, pg. 141).

Gulag é a abreviatura de Glávnoie Upravliênie Láguerei (Administração Geral dos Campos). O livro Arquipélago Gulag discorre sobre os campos de trabalhos forçados soviéticos (campos de concentração), por onde passaram cerca de 66 milhões de prisioneiros, e sobre a fome endêmica que se seguiu a vários planos econômicos fracassados, levando pais a comerem seus próprios filhos - donde se originou, provavelmente, a expressão "comunista come criancinha":

"No fim da guerra civil, e como sua conseqüência natural, abateu-se sobre a região do Volga um ano de fome como nunca se tinha conhecido. Como isso não adorna muito a coroa de glória dos vencedores desta guerra, falam sobre ele entre os dentes e sem ir além de duas linhas. E no entanto essa fome chegou até ao canibalismo, até aos pais comerem os seus próprios filhos. Nunca uma fome assim tinha sido conhecida na Rússia, nem sequer no 'Tempo dos Tumultos' (então, como testemunham os historiadores, os cereais mantinham-se debaixo da neve durante vários anos, sem serem colhidos). Um só filme sobre essa fome poderia projetar uma luz nova sobre tudo o que vimos e tudo o que sabemos acerca da Revolução e da guerra civil. Mas não há nem filmes, nem romances, nem estudos estatísticos – é algo que se procura esquecer, que não embeleza. Além disso, a causa de qualquer fome, é costume fazê-la recair sobre os kulaks (6)" (Arquipélago Gulag, pg. 331-332).

"O Gulag abrangia o complexo de prisões, centros de triagem e campos de trabalhos forçados a que eram condenados opositores do regime, suspeitos de atividades 'anti-soviéticas', criminosos comuns e hordas de pessoas que nunca souberam exatamente por que haviam sido encarceradas. (...) As palavras que descreveram esse sorvedouro de vidas em escala industrial agora podem ser acompanhadas por raras e chocantes imagens: mais de 200 desenhos feitos pelo coronel da reserva Danzig Baldaiev, integrante da polícia soviética de 1947 até o início dos anos 80. (...) Particularmente chocantes, e raríssimos, são os retratos das prisões femininas. Uma das cenas mostra mulheres estupradas em massa por presos comuns, durante um trajeto de barco, sob o olhar indiferente dos guardas. As enfermeiras estavam sempre lotadas de prisioneiras ensangüentadas, que haviam sofrido deslocamento do útero por causa do trabalho massacrante. Na chegada, as mulheres eram enfileiradas nuas diante dos administradores do campo. Eles escolhiam as preferidas e lhes ofereciam a opção de serem poupadas do serviço pesado caso aceitassem tornar-se suas escravas sexuais" ("Recordações da casa dos mortos", revista Veja, 7/7/1999, pg. 60 a 62).

No Gulag de Vorkuta, milhões de zeks (presos políticos) e outros prisioneiros proporcionaram mão-de-obra barata para a derrubada, o corte e o transporte de madeira para a mineração. Segundo afirma o economista soviético Vasily Selyunin, "a princípio, os campos eram usados para sufocar a oposição política à revolução de 1917; depois, tornaram-se um meio de resolver tarefas puramente econômicas." Os desenhos chocantes do coronel Baldaiev resultaram em um documentário feito pelo repórter Angus Macqueen, da BBC inglesa.

"A diretriz de escrever Deus com letras minúsculas é a mais desprezível espécie de mesquinhez ateísta. (...) Para não dizer que nos lábios das pessoas de 1914, a palavra "deus" em letras minúsculas fere os ouvidos e é historicamente falsa" (Soljenítsin, no epílogo de seu livro Agosto de 1914).

Muitos dissidentes foram internados em hospitais psiquiátricos (7), alguns condenados in absentia: a universitária Olga Ioffe, presa devido a poesias confiscadas em sua casa, escritas por ela e por seu pai, Y. Ioffe, foi internada num manicômio, em 1970, como "esquizofrênica crônica"; Valeria Novodvorskaya, detida por distribuir panfletos com uma poesia em que criticava o PC, foi diagnosticada pelo Instituto Serbsky e internada numa clínica psiquiátrica da prisão de Kazan como "esquizofrênica paranóica", em 1970. A poetisa Natalia Gorbanevskaya foi presa e internada no hospital psiquiátrico de Kaschenko, onde os pacientes eram "acalmados" com uma dose do tranqüilizante estelazine. Em 1970, Zhores A. Medvedev, especialista em gerontologia, foi confinado em uma clínica psiquiátrica de Kaluga. A publicação clandestina Crônica noticiava esses tipos de julgamentos criminosos que ocorriam em Moscou, Gorki, Kharkov, Riga, Kiev e mais 2 cidades da República do Uzbeque.

No Brasil, a esquerda não perde tempo em falar sobre os "militares torturadores". Depois de ler a obra de Soljenítsin, sabe-se por que a esquerda mundial se acha no direito de ficar com o monopólio da tortura:

"Se aos intelectuais das peças de Tchekhov, sempre fazendo conjeturas sobre o que seria a vida dentro de vinte, trinta ou quarenta anos, tivessem respondido que na Rússia se torturariam os acusados durante a instrução do processo, que se lhes apertaria o crânio com um anel de ferro, que se submergiria uma pessoa num banho de ácidos, que se ataria um homem nu para o expor às formigas e aos percevejos, que se lhe introduziria uma baioneta em brasa pelo orifício anal ('a marca secreta') (8), que se lhe comprimiriam lentamente com uma bota os órgãos sexuais e que, como tratamento mais suave, se torturaria alguém durante uma semana, sem o deixar dormir, nem lhe dar de beber, espancando-o até deixar-lhe o corpo em carne viva – nem uma só dessas peças teria chegado até o fim e todos os seus heróis teriam ido parar no manicômio.

(...)
Mas não será mais terrível ainda que, trinta anos depois, nos venham dizer: não se deve falar disso! Recordar o sofrimento de milhões de pessoas é deformar a perspectiva histórica! Tratar de descobrir a essência dos nossos costumes é obscurecer o progresso material! Que se fale antes dos altos-fornos que foram acesos, ou dos trens de laminação, ou dos canais que foram abertos... Não, dos canais também não é conveniente falar... Antes do ouro de Kolimá... Não, também isso é conveniente. Enfim, pode-se falar de tudo, mas desde que se saiba faze-lo, glorificando-o...
Será então incompreensível que amaldiçoemos a Inquisição? Acaso, além das fogueiras, não havia ao mesmo tempo serviços religiosos solenes? Veja-se, não se proibiam os camponeses de trabalhar todos os dias... Eles podiam celebrar o Natal com canções, pela Trindade as moças teciam coroas..." (Arquipélago Gulag, pg. 102-103).

Vale lembrar, também, as atrocidades perpetradas pelos comunistas canibais chineses. Durante a Revolução Cultural, muitos condenados à morte tinham seus corpos retalhados, assados e comidos. "Num massacre famoso, na escola de Mushan em 1968, na qual 150 pessoas morreram, vários fígados foram extirpados na hora e preparados com vinagre de arroz e alho" ("Canibais de Mao", revista Veja, 22 de janeiro de 1997, pg. 48-49). Essa prática de canibalismo se tornou corriqueira, no período de 1968 e 1970, quando centenas de "inimigos do povo" foram devorados em Guangxi, conforme pesquisas de Zheng Yi. O trabalho desse dissidente exilado nos EUA desde 1992, resultou no livro Scarlet Memorial – Tales of Cannibalism in Modern China (Memorial Escarlate – Histórias de Canibalismo na China Moderna). Na mesma época, havia um tipo de tortura sui generis: alguns presos, ainda vivos, tinham seus órgãos sexuais (pênis e testículos) arrancados, assados e comidos, como consta no mesmo artigo de Veja: "Wang Wenliu, maoísta promovida a vice-presidente do comitê revolucionário de Wuxuan durante a Revolução Cultural, especializou-se em devorar genitais masculinos assados". Criancinhas comidas na Rússia, "churrasquinhos" degustados na China: uma autêntica churrascaria do Inferno!

Há centenas de filmes que relatam a história de Hitler e de seu criminoso regime nazista. Temos filmes comoventes a respeito do tema, como A Vida é Bela, de Roberto Benigni (que desbancou Central do Brasil, de Walter Moreira Salles, e levou o Oscar de melhor filme estrangeiro, em 1999), e A lista de Schindler, de Steven Spielberg. Infelizmente, não temos nenhum filme que trata dos Gulags, dos horrores comunistas na antiga União Soviética, nem dos crimes cometidos por Mao Tse-Tung e Pol Pot. O que estão esperando Spielberg, Benigni e demais cineastas de Hollywood, da Europa ou do Brasil, para enfim dar início a um filme épico, como seria um que tivesse o título O Arquipélago Gulag ou A Revolução Cultural? Quem se cala a respeito dos crimes hediondos cometidos na URSS, na China e nos demais regimes marxistas, compactua com os criminosos comunistas. Infelizmente, o nazismo sempre foi e sempre será o melhor álibi dos comunistas (http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5038), e dificilmente teremos um julgamento à Nuremberg para condenar os criminosos de guerra vermelhos.

Até o momento, a única lembrança que temos em 2007 da cruenta Peste Vermelha soviética vem através da figura grotesca do coronel russo Boris Tutchenko, interpretado pelo ator Álvaro Thuller, que neste ano faz o comercial "o mundo é dos nets". Pregando medalhas em mulheres peitudas, dançando em cima de mesas, dando bronca nos empregados, o bordão proferido pelo bufão fardado faz sucesso, embora ninguém entenda o que significa: s kawurzska!

Qual seria a tradução dessa palavra, que alguns afirmam que não existe em russo? Existiria, por acaso, alguma mensagem subliminar na propaganda da Net que não conseguimos pescar? Um certo Emerson se qualificou para tirar nossa dúvida:

"SKAVURZKA - A palavra vem do russo. É composta do prefixo 'ska', que significa "céu" mais o termo 'vurz' que significa "ir em direção" mais o sufixo de negação 'ka'. Assim, literalmente, poderíamos efetuar a tradução como "você não vai para o céu", o que significa, então: Vá para o inferno!" (http://novo-mundo.org/log/2007/05/09/net-virtua-skavurzka-seus-usuarios/).

Skawurzska!, então, para todos os patifes comunistas que ainda proliferam ao redor do mundo, especialmente os do Brasil, os quais, apesar do hediondo genocídio cometido pela Peste Vermelha durante o século XX, ainda têm o desplante de enaltecer tal ideologia assassina em nossas escolas, nas universidades, no meio cultural, enfim, até no outrora reservado e sério Parlamento brasileiro. Que vão todos para o inferno! Skawurzska!

Notas:

(1) SOLJENÍTSIN, Alexandre. Arquipélago Gulag. Difel/Difusão Editorial S. A., São Paulo e Rio de Janeiro, 1976.


(2) ROTHBERG, Abraham. Os Herdeiros de Stálin – a dissidência e o regime soviético 1953-1970. Edições O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 1975 (Tradução de Edilson Alkmim Cunha).


(3) Lubianka - Em russo significa "amorzinho". Era o nome de rua e praça de Moscou, sede das polícias políticas soviéticas (Tcheká, GPU, NKVD etc.) e da prisão famosa.

(4) Kolkhoz foi o sistema de coletivização marxista da agricultura na URSS, a partir de 1922, cujo processo de privatização teve início em 1992, após o fim da União Soviética. Qualquer semelhança dos antigos kolkhozes russos com os atuais assentamentos do MST não é mera coincidência.


(5) Samizdat - Sistema de contrabando de manuscritos de intelectuais soviéticos para o Ocidente. Às vezes, a própria KGB estava por trás desses contrabandos, recebendo elevadas somas de dinheiro por obras proibidas na União Soviética que eram publicadas no exterior. Nesses casos, os manuscritos eram confiscados das residências dos dissidentes e remetidos ao Ocidente à revelia do autor. Em 1967, 3 livros sobre expurgos e campos de concentração tinham sido contrabandeados para o Ocidente: Tempestade de Areia, de Galina Serbryakova, A Casa Abandonada, de Lydia Chikovskaya, e Uma Jornada ao Furacão, de Evgenia Ginzburg.


(6) Kulak - Classe média camponesa, surgida na Rússia após a Nova Política Econômica (NEP), a partir de 1921 e até 1928. A partir de 1928, essa classe foi massacrada por Stalin, junto com os Nepmen (classe de comerciantes e industriais surgida na mesma época), dando origem aos Sovkhozes, fazendas estatais coletivas (Gosplan). O erudito marxista Leszek Kolakowski considerou esse massacre como "provavelmente a mais maciça operação militar jamais conduzida por um Estado contra seus próprios cidadãos". Somente no período da coletivização e eliminação de classes (1929-36), 10 milhões de homens, mulheres e crianças tiveram morte antinatural (estudo demográfico de Iosif Dyadkin, "Avaliação de mortes antinaturais da população da URSS em 1927-58", que circulou sob a forma de samizdat). Com o fim dos kulaks, para conseguir moeda estrangeira, Stalin passou a vender secretamente, para o Ocidente, obras de arte do Museu Hermitage, Leningrado, uma coleção que levou mais de 100 anos para juntar. "Os quadros foram adquiridos por milionários do mundo inteiro. O maior foi Andrew Mellon que, em 1930-31, obteve, por US$ 6,654,053.00, 21 quadros, incluindo 5 Rembrandt, 1 Van Eyck, 2 Franz Hals, 1 Rubens, 4 Van Dyck, 2 Rafael, 1 Velásquez, 1 Boticelli, 1 Veronese, 1 Chardin, 1 Ticiano e 1 Perugino – provavelmente o tesouro da melhor qualidade jamais transferido numa única tacada e tão barato. Todas essas obras foram para a Washington National Gallery, criada virtualmente por Mellon" (Paul Johnson, in Tempos Modernos, pg. 226). O embaixador americano em Moscou, Joseph E. Davies, que disse sobre Stalin que 'uma criança gostaria de sentar-se no seu colo e um cachorro caminharia a seu lado', era subornado pelo Governo soviético para emitir falsas informações a seu país, e que por isso lhe permitia "comprar ícones e cálices para a sua coleção particular a preços abaixo do mercado" (Ib., pg. 232). "Além daqueles camponeses executados pela OGPU ou mortos em batalha, um número entre dez e onze milhões foi transportado para o norte da Rússia européia, para a Sibéria e para a Ásia Central; desses, um terço foi para campos de concentração, um terço para o exílio interno e outro terço foi executado ou morreu em trânsito" (Paul Johnson, op. cit., pg. 228). Sob Lenin, foi utilizado um pequeno número de "escravos políticos", mas, sob Stalin esse número expandiu-se e "uma vez iniciada a coletivização forçada, em 1930-33, a população dos campos de concentração subiu para 10 milhões e, depois do começo de 1933, ela nunca caiu abaixo desse número, até bastante tempo depois da morte de Stalin" (Paul Johnson, in Tempos Modernos, pg. 230).

(7) Hospitais psiquiátricos - Utilizados na antiga União Soviética para internar intelectuais que criticavam o regime comunista, a exemplo do Instituto Serbsky. Em muitos julgamentos, o regime de Moscou declarava os réus de "irresponsáveis", negando-lhes a permissão de estar presentes em seu próprio julgamento, para facilitar o envio dos dissidentes a clínicas psiquiátricas. "O castigo psiquiátrico era dado principalmente a transgressores do capcioso artigo 58 do código criminal, que lidava com atos 'anti-soviéticos': entre os internos companheiros de Yarkov estavam incluídos cristãos, trotskystas sobreviventes, opositores a Lissenko (9), escritores heterodoxos, pintores e músicos, letões, poloneses e outros nacionalistas. (...) Em 1959, o Pravda publicou a seguinte citação de Kruschev: 'Um crime é um desvio dos padrões de comportamento geralmente reconhecidos, com freqüência causado por distúrbios mentais. (...) Aqueles que começam a exigir a oposição ao Comunismo... é claro que o estado mental de tais pessoas não é normal. (...) A primeira vez em que o Ocidente ficou inteirado da psiquiatria penal soviética foi em 1965, com a publicação de 'Ward 7', de Valery Tarsis" (Paul Johnson, in Tempos Modernos, pg. 573-4) (10). Centenas de pessoas perfeitamente sadias foram libertadas de clínicas psiquiátricas depois das denúncias de Kruschev, em 1956. Os responsáveis, porém, não foram punidos, permaneceram nos cargos para mais tarde, com a reabilitação de Stálin, voltar a agir contra os dissidentes.


(8) Empalação - "Suplício antigo, que consistia em espetar o condenado em uma estaca, pelo ânus, deixando-o assim até morrer." (Dicionário Aurélio). Olavo de Carvalho, em seu artigo O espírito da clandestinidade, afirma: "O requinte soviético foi que os candidatos a empalamento não foram escolhidos entre empaladores em potencial, mas entre padres e monges, para escandalizar os fiéis e fazê-los perder a confiança na religião, segundo a meta leninista de `extirpar o cristianismo da face da terra`; esfolar prisioneiros, fechá-los numa tumba junto com cadáveres em decomposição, colocá-los na ponta de uma prancha e escorregá-los lentamente para dentro de uma fornalha, encostar na sua barriga uma gaiola sem fundo, com um rato dentro, e em seguida aquecer com a chama de uma vela o traseiro do rato para que, sem saída, ele roesse o caminho no corpo da vítima - eis alguns dos processos então documentados por uma comissão de investigação dos países aliados. (...) O canal dos exilados cubanos, TV Martí, exibe semanalmente uma procissão infindável de dedos cortados, orelhas arrancadas e olhos vazados que atestam a continuidade do leninismo nas prisões políticas de Havana."


(9) Lissenkoísmo - Política oficial soviética do estudo da genética, que classificava as ciências como "burguesas", de um lado, e como "socialistas" ou "proletárias", de outro lado. As teorias mendelianas de hereditariedade, adotadas pelo principal geneticista da União Soviética, Nikolai Vavilov, eram consideradas um anátema para os dirigentes soviéticos. Como os genes, àquela época, não podiam ser "vistos", os lissenkoístas podiam acusar os mendelianos de os haver "inventado". O Lissenkoísmo confiava mais na criação do que na natureza, estava mais empenhado em moldar o "novo homem socialista" do que aceitar a realidade dos caracteres humanos geneticamente transmitidos e suas mutações ocasionais. A teoria genética desenvolvida por Gregor Mendel, Thomas Morgan, Hugo de Vries, August Weismann, recebeu oposição na União Soviética dos geneticistas liderados por I. V. Michurin e T. D. Lissenko, que seguiam o lamarckianismo – a crença na hereditariedade dos caracteres adquiridos – e métodos de tentar mudar os caracteres por meio de mudança do ambiente, uma concepção que se encaixava melhor nas idéias marxistas-leninistas. "A biologia soviética caiu nas mãos do extravagante e fanático T. D. Lissenko, que pregava uma teoria de caracteres adquiridos por herança, à qual chamou de 'vernalização': a transformação de trigo em centeio, pinheiros em abetos e assim por diante – essencialmente tolices medievais. (...) A genética foi atacada ferozmente como 'uma pseudociência burguesa', 'antimarxista', que levava à 'sabotagem' da economia soviética. (...) Na medicina, uma mulher chamada O. B. Lepeshinskaya, pregava que a velhice poderia ser adiada graças a lavagens intestinais de bicarbonato de sódio" (Paul Johnson, op. cit., pg. 381).


(10) JOHNSON, Paul. Tempos Modernos - O mundo dos anos 20 aos 80. Biblioteca do Exército Editora e Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1994 (Tradução de Gilda de Brito Mac-Dowell e Sérgio Maranhão da Matta).

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ditadura comunista na Hungria: A repressão é vermelha.

Há 50 anos, os húngaros se rebelaram contra os soviéticos e foram esmagados pelos tanques de Moscou. Conheça a revolta que rachou o comunismo mundial 33 anos antes da queda do muro de Berlim

Em 1989, quando o mundo assistiu pela TV à derrocada do comunismo no Leste Europeu, pouca gente se deu conta de que as manifestações contra o modelo soviético na região haviam começado a ser desenhadas num pequeno país do bloco, pouco mais de três décadas antes. O livro Hungria 1956 ...E o Muro Começa a Cair, de vários autores, narra como, há 50 anos, estudantes húngaros saíram às ruas de Budapeste para protestar contra a ditadura imposta pelos soviéticos na região. Em outubro e novembro de 1956, 200 mil pessoas se reuniram na maior demonstração de insatisfação de um país comunista diante da poderosa União Soviética. Mas o sonho de autonomia húngara iria durar apenas alguns dias. Na madrugada de 4 de novembro daquele ano, os manifestantes se viram impotentes diante da chegada dos tanques russos a Budapeste. Comunistas do mundo inteiro, que costumavam bradar contra o imperialismo americano, descobriram atônitos a face brutal de outro imperialismo: o soviético.

Para os húngaros, a chegada dos russos era apenas mais um capítulo da história de um país subjugado por invasores há séculos. Desde que Estêvão I estabeleceu o reino da Hungria, no ano 1000, o território fora dominado por mongóis e turcos otomanos e, mais tarde, pelos Habsburgos, da Áustria, quando integrou o chamado Império Austro-Húngaro. Derrotados e separados dos austríacos na Primeira Guerra, os húngaros foram obrigados, em 1920, a doar dois terços de seu território aos vizinhos. Depois de um malfadado ensaio de revolução comunista, o país terminou se aliando à Alemanha na Segunda Guerra na esperança de recuperar os territórios perdidos. Derrotados mais uma vez, a União Soviética logo fez questão de colocar o país em sua zona de influência, assim como fez com os outros países do Leste Europeu no pós-guerra.

No início, tudo parecia normal no país: a Hungria continuava permitindo o multipartidarismo e o Partido Comunista Húngaro mantinha apenas o controle do Ministério do Interior, o que significava, na prática, o controle do aparelho policial. Mas, a partir de 1947, as coisas esquentaram entre Estados Unidos e União Soviética e a Guerra Fria levou os comunistas a mudarem de postura: dali em diante, todos os países do leste teriam que rezar pela cartilha de Moscou.

Para comandar a Hungria, os soviéticos escalaram comunistas húngaros que haviam morado em Moscou. Entre eles, Imre Nagy e Mátyás Rákosi, este segundo na condição de dirigente principal do país. Culto, inteligente, duro e extremamente leal a Moscou, o líder húngaro Rákosi era tão fiel a Stálin que, na festa de 70 anos do ditador, teve lugar garantido ao lado do aniversariante. Para o povo húngaro, esse culto stalinista rendeu perseguições, exílios, violações dos direitos humanos e fechamento do país para o resto do mundo. As húngaras, acostumadas a ter Viena e Paris como referências de moda, tiveram de se voltar para as soviéticas, cuja maneira de vestir estava estagnada havia três décadas. A polícia política vigiava, forjava provas e torturava qualquer cidadão suspeito de ser simpático a “reformas burguesas”. No total, estima-se que 600 mil húngaros foram condenados entre 1948 e 1953. A repressão era tão forte que, em 1951, o líder Rákosi mandou 21 dirigentes do próprio partido para a cadeia. A produção agrícola caiu e os preços subiram, jogando ainda mais para baixo a qualidade de vida de um país que tinha um enorme déficit habitacional (264 habitantes para cada 100 quartos disponíveis) e a proporção de um automóvel para cada 500 habitantes (enquanto na Inglaterra, por exemplo, essa taxa no período era um para dez). Até o embaixador soviético no país, J. Kiseljov, alertou seus compatriotas de que aquilo não ia acabar bem.

Em 1953, Josef Stálin morreu e, com ele, o culto ao seu poder. O enterro do stalinismo se deu definitivamente em fevereiro de 1956, durante o 20º Congresso do PC soviético, quando Nikita Kruchev fez seu histórico pronunciamento condenando os excessos do stalinismo, prometendo a recuperação dos valores da “democracia socialista”. Parecia a senha de que os países comunistas precisavam para construir um socialismo com cara própria. Em todo o bloco comunista, trabalhadores se sentiram encorajados a se manifestar, mas logo aprenderam que a tal democracia socialista não era assim tão democrática. Na Alemanha Oriental, por exemplo, uma manifestação de trabalhadores no dia 17 de junho de 1956 foi duramente reprimida, resultando na morte de 51 pessoas. Onze dias depois, foi a vez de os poloneses se manifestarem na cidade de Poznan, onde morreram 54 pessoas.

Em meio a esse clima de insatisfação, os soviéticos derrubaram o durão Rákosi do poder da Hungria e colocaram Ernö Gerö em seu lugar. Em 19 de outubro de 1956, encorajados por uma vitória do PC polonês frente ao comando soviético, os húngaros acreditaram que poderiam fazer o mesmo. Três dias depois, integrantes da juventude comunista montaram um grupo dissidente e marcaram para o dia seguinte uma manifestação em apoio aos poloneses. É o início da revolta. Mas, enquanto escritores e intelectuais lutavam por um modelo socialista adaptado à realidade húngara, os estudantes resolveram pedir mais: eleições multipartidárias, imprensa livre e retirada das tropas do Pacto de Varsóvia, organização militar do bloco comunista. No fim do dia 23 de outubro, a rebelião já havia reunido 200 mil pessoas. Na porta da Rádio Budapeste, o protesto pacífico virou uma batalha campal que se espalhou país adentro. Às 21h30, a estátua de Stálin foi derrubada. Às 23h, os manifestantes fizeram com que o dirigente do Partido Comunista Imre Nagy, considerado mais sensível às reivindicações do povo húngaro, fosse alçado ao posto de primeiro-ministro, apesar de Gerö permanecer como primeiro secretário do partido. A situação era confusa. Em 24 de outubro, foi anunciada, junto com a nova junta de poder, a proibição de reuniões públicas e a implantação do toque de recolher. Os rebeldes não obedeceram e tampouco a polícia reprimiu os manifestantes. Na verdade, o líder Imre Nagy ainda hesitava em apoiar os rebeldes. Em 28 de outubro, ele deu uma guinada em direção aos manifestantes: nomeou para o governo ministros não-comunistas e chamou o movimento de “do povo”, em contraponto a Moscou, que via os manifestantes como “fora-da-lei”. No dia 30, o multipartidarismo voltou à ordem política da Hungria. Mas o Exército Vermelho já estava alerta.

Apesar de negativas do embaixador russo, o exército de Moscou começou a ocupar o aeroporto de Budapeste alegando que precisava transportar os feridos da rebelião. Diante da ameaça soviética, Nagy enviou um pedido de apoio à Organização das Nações Unidas. Mas, para o azar dos húngaros, o pedido foi enviado no mesmo dia em que estourou a crise do Canal de Suez no Egito, cuja nacionalização fez com que ingleses e franceses traçassem planos de invadir o país. Se os países ocidentais podiam invadir uma nação árabe, como poderiam evitar que os soviéticos sufocassem uma rebelião na vizinhança?

Anos depois, documentos liberados pelo governo soviético revelaram que o Kremlin decidira pela intervenção militar no dia 31 de outubro. Enquanto Kruchev havia comunicado seus planos de invasão a outros líderes comunistas no dia 2 de novembro, Moscou continuava “negociando”, um dia depois, a retirada de suas tropas da Hungria. Quando o ministro da Defesa húngaro voltou a conversar com os militares russos sobre esse tema por volta das 22h do dia 3 de novembro, foi preso. Naquela madrugada, a chamada Operação Turbilhão entrou em ação e, antes do almoço, a Hungria estava dominada. O novo governo húngaro, apoiado pelos soviéticos, encontrou alguma resistência armada até meados de novembro, tendo que negociar com comitês e conselhos até dezembro de 1956. A partir daí, acabou a conversa e veio a repressão.

Em janeiro de 1957, os húngaros contabilizavam 2500 mortos e 20 mil feridos. Mas as cicatrizes foram expostas para todo o mundo, inclusive no Brasil (veja quadro na pág. ao lado). A fé no socialismo como projeto humanista estava abalada. Comunistas de carteirinha como o cantor francês Yves Montand e o escritor Jean-Paul Sartre condenaram a invasão. O historiador inglês Eric Hobsbawn assinou na ocasião, ao lado de outros renomados intelectuais, um manifesto de repúdio à invasão que o jornal do PC britânico se recusou a publicar. Era o início do fim.

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O SISTEMA PRISIONAL SOVIÉTICO.

Prezado Leitor(a):

Sei que, às vezes, a gente não tem tempo para leituras extensas, mas como poderemos saber dos fatos ocorridos, senão pela pesquisa e leitura? O texto abaixo é um resumo e tradução de um texto que li em jornal ucraniano, e que nos dá uma visão clara do que foi o regime comunista na União Soviética. Como o nosso governo é amicíssimo de Fidel Castro, e este implantou em seu país o regime soviético, tive vontade de mostrar para vocês (e para o Brasil inteiro se pudesse) o que foi esse regime, esse “um mundo melhor” tão exaltado “em prosa e verso”, e do qual os militares nos salvaram na década de 1960. Espero que leiam. Oksana.

HISTÓRIA:

Por Oksana Kowaltschuk

Ilhas Solovetsky ou Solovki, ficam no Mar Branco. Inicialmente sede de monastério importante do Império Russo, depois colônia penal czarista e campo de concentração do regime soviético.
A tragédia do Arquipélago Gulag - Ilhas Solovki. Os contemporâneos chamavam as galés de Solovki “União Soviética em miniatura”. O que era verdadeiro, não somente porque ali estavam representadas todas nações da então URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), mas também porque a situação no Arquipélago era idêntica à situação da URSS na intensidade da repressão, na quantidade dos aprisionamentos e no tratamento dispensado aos presos.
Os campos prisionais de Solovki foram criados em 13.10.1923, pelo Conselho de Comissários da URSS. Em 02.11.1939 pela NKVS (antecessora da NKVD - posteriormente KGB, sigla da polícia da União Soviética).
O funcionamento desse grande conjunto prisional de mortes, durante 16 anos não foi casual ou herança de tradição russa. Era uma necessidade urgente, um sistema, um sistema de medo, graças ao qual pôde funcionar todo sistema, criado pelos bolcheviques sobre as ruínas do império russo.

Prisões de Solovki - local de desespero e suplício. A maioria dos que lá chegavam, lá morriam. Trabalhavam no corte da madeira, construíam estradas de ferro e o Canal do Mar Báltico que, sozinho, levou a vida de aproximadamente 100 mil pessoas.
Ali encontravam-se representadas todas as categorias sociais: trabalhadores, aldeões e inteligência, bem como os religiosos. Em 1923-1924 foram aprisionados 2.469 padres, e em 1931-32, 19.812. Muitos deles foram para Solovki.
Uma considerável porcentagem constituíam os ucranianos. A “Ucrainização” de Solovki começou, ainda, no início do século XVIII, quando Catarina II mandou para lá o último “otaman” da Sitch Zaporozka” (exército voluntário ucraniano), Petro Kalnyshevskyi, que lá ficou por 34 anos, 9 dos quais em câmera isolada. Depois disso, velho e doente, não quis ir dali, morrendo com 112 anos de idade.

Entretanto, as prisões comunistas não davam chance para tantos anos de vida. A maioria dos idealistas de uma República Nacional da Ucrânia, os combatentes de inúmeras insurreições, os trabalhadores insatisfeitos com trabalho escravo, os aldeões levados ao desespero com o “céu” dos “kolkhozes” (fazendas coletivas), o acuado clero, os representantes da velha inteligência, que foram tachados de “nocivos” e “nacionalistas” e, finalmente, aqueles que nos dias anteriores eram o esteio do governo, e hoje declarados como “inimigos da nação”, isto é, os que já pertenceram ao partido comunista e foram funcionários do governo da União Soviética; escritores, cientistas e artistas - todos eles, com raras exceções, foram condenados ao extermínio, pelo fato da permanência em Solovki.
Desde o tempo dos czares Rússia almejava, mais que a outros países, transformar a Ucrânia em parte de seu território, devido a sua localização geograficamente estratégica (acesso ao Mar Negro) e sua economia. Sobre isso escreve o historiador alemão Andreas Kapeler, em seu livro “Kleine Geschichte der Ukraine”. E, ainda, os ucranianos eram maioria em Solovki devido a sua resistência ao regime de Stalin. No final dos anos vinte (século passado), eram especialmente observados como incertos ou não sintonizados com o governo e, posteriormente aprisionados.
Em 26.09.1936 foi dispensado do cargo de Comissário Nacional de Assuntos do Interior da URSS, Henrikh Yahoda. Foi fuzilado, por ordem de Stalin em 15.03.1938. Para substituí-lo foi designado Mykola Yezhov (pronuncia-se Yejov) que logo criticou severamente toda atuação de Yahoda, (como era costume - criticar o antecessor). Yezhov apresentou a Stalin um plano completo de ações repressivas contra todos que poderiam se opor ao regime.

O que fazer com os prisioneiros? Na primavera de 1937 havia em Solovki entre 700 a 800 mil pessoas. Poucos acampamentos novos foram criados, os existentes tornavam-se cada vez maiores. Decidiu-se pelo aumento das atividades já existentes e criação de novos acampamentos.
Na Ucrânia, o número de aprisionados, em 1937, teve uma substantiva alta. Os dados oficiais são: 1935 - 24.934 presos; 1936 - 15.717 presos; 1937 - 159.573 presos; 1938 - 108.000 presos; 1940 - 50.000 aproximadamente.
Solovki não era a única prisão da União Soviética. Havia muitas prisões em todo o território, e todas estavam abarrotadas!

Em 1937 o governo de Stalin decidiu aproveitar os prisioneiros em diversos trabalhos e, ao mesmo tempo, “limpar” os acampamentos. Esta decisão foi em agosto e, imediatamente posta em prática. Foram fuzilados não menos de 30 mil prisioneiros. Este foi só o começo.
No outono de 1937 terminava o tempo de aprisionamento de muitos. O que fazer com eles? A maioria foi aprisionada por motivos políticos e, não era do interesse do regime deixá-los em liberdade.

Desde o início de 1937, a direção dos acampamentos decidiu construir um documento do aprisionado onde se registravam todas as suas atitudes, opiniões e relacionamentos que mantinham com outros presos, valendo-se de informantes (que poderiam ser recrutados entre os presos ou pessoal da guarda). Com base nas informações obtidas, a decisão sobre a vida do prisioneiro era resolvida por três “juízes”, pessoas da administração do acampamento. Desta maneira o regime justificava seus atos de extermínio. Alguns documentos referentes a estes fatos foram conhecidos em 1956, durante o “degelo” de Khrushtchov.
Os documentos eram assinados por Ivan Apetera, superintendente de Solovki, e seu substituto, Petro Raievskyi. Ivan Apetera foi designado para Solovki em 1934. Depois dos fuzilamentos, em 26.12.37 foi desligado e, em 22.08.1938 condenado ao fuzilamento. Petro Raievskyi, designado para responder por Solovki em outubro de 1938 foi aprisionado em 10.11.39 e mais tarde fuzilado.

Como vemos, o regime mandava matar e, posteriormente matava os executores. NÃO HAVIA SAÍDA: OS QUE ERAM ESCOLHIDOS PARA O SERVIÇO SUJO, NÃO PODIAM DEIXAR DE EXCUTÁ-LO. EXECUTANDO, POSTERIORMENTE ERAM EXECUTADOS. De qualquer modo seu destino já era decidido.
Até os muito dedicados ao regime caíam em desgraça, como é o caso de Leonid Zakovskyi, que chefiava as ações penais em Leningrado em 1937. Em janeiro de 1938 recebeu de Yezhov a incumbência de realizar a “limpeza” em Solovki. Executou a parte mais importante e mais suja, mas, já em 16.04.1938 foi afastado da NKVS e, em seguida aprisionado. Em 29.08.38 foi condenado e executado no mesmo dia. Seus parentes próximos sofreram represálias.
Os mais adeptos do regime eram destruídos primeiramente. Yezhov, um dos maiores terroristas da União Soviética, foi afastado de seu cargo em 10.04.39, aprisionado em Sujánovka e fuzilado em 04.02.1940.

Nota do Editor:

KGB

Evolução dos “Órgãos” de repressão comunista na URSS

Tcheká - Tchezvitchainaia Kommíssio (Comissão Extraordinária de luta contra a contra-revolução e a sabotagem).
- O mais antigo nome da polícia secreta soviética, de 1917 a 1922, quando foi substituída pela GPU.

GPU - Gossudarstviênnoie Polítcheskoie (Administração Política do Estado).
- Designação da polícia secreta soviética que substituiu a Tcheká, de fevereiro a dezembro de 1922, quando foi mudada para OGPU. No entanto, continuou sendo conhecida por GPU.

OGPU - Obiediniónnoie Gossudarstviênnoie Politícheskoie Upravliênie (GPU Unificada).
- Os “’Orgãos” de 1922 a 1934; unificados ao nível da URSS.

NKVD - Naródni Kommissariat Vnutriênnikh Diel (Comissariado do Povo do Interior).
- Órgão da polícia secreta de 1934 a 1943, que substituiu a OGPU.

NKGB - Naródni Kommissariat Gossudarstviênnoi Bezopásnosti (Comissariado do Povo da Segurança do Estado).
- Órgão da polícia secreta que substituiu o NKVD de 1943 a 1946.

MGB - Ministiérstvo Gossudarstviênnoi Bezopásnosti (Ministério da Segurança do Estado).
- Órgão da polícia secreta; sucedeu ao NKGB de 1946 a 1953.

KGB - Komitet Gossudarstviênnoi Bezopásnosti (Comitê da Segurança do Estado).
- Órgão da polícia secreta soviética, ligado ao Conselho de Ministros. A última transformação dos “Órgãos”, depois de 1953. Sucedeu ao MGB

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Marxismo – Estudos Críticos

O socialismo marxista foi inventado no século XIX, por um medíocre economista alemão, um pseudo-intelectual chamado Karl Marx. Na própria época em que foi criado já estava superado, pois era uma simplória continuação dos economistas liberais da geração anterior, David Ricardo e Adam Smith.

O marxismo fracassou completamente em todos os Países em que tomou o Poder. Infelizmente, no Brasil, ainda existem muitas viúvas do Muro de Berlim, que totalmente cegas à realidade genocida do comunismo, continuam acreditando num futuro socialista para o Brasil e para toda a Humanidade.

Vivemos em plena era cibernética, e esses retardatários que perderam o bonde da História, e que continuam acreditando na ideologia marxista, uma velharia do tempo do lampião a gás, dão provas de completa indigência intelectual. Marx falhou em todas as suas profecias, e o próprio operariado - a classe eleita... - desaparecerá como realidade econômica em mais algumas décadas.

A finalidade deste Blog é reunir estudos sobre o Marxismo, desde a sua idealização pelo alemão Karl Marx até sua atual fase de “débâcle”. A crítica ao Marxismo surgiu praticamente junto com ele, e partiu de todos os lados, das mais variadas correntes políticas, econômicas e filosóficas, inclusive e principalmente da própria Esquerda. Este Blog refletirá esta pluralidade, expondo o pensamento dos mais variados Escritores, sem prevenções ou preferências. Nosso objetivo é simplesmente ajudar na compreensão desse fenômeno ideológico, responsável pela maior matança já feita na História Humana. Espero, sinceramente, que este Blog faça perceber aos remanescentes do Marxismo que ele sempre foi uma Utopia irrealizável, que, portanto, só podia fracassar quando tentado na prática, e que hoje é apenas uma Ilusão.

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O Caráter Profético do Marxismo

Heraldo Barbuy*

Faremos neste ensaio a exposição e a crítica sumárias de alguns tópicos essenciais do marxismo. O marxismo é um conjunto de proposições de natureza histórica, sociológica e econômica; essas proposições formam um sistema filosófico, voltado para a ação revolucionária. Dentre as afirmações do marxismo, algumas são totalmnte inverificáveis; outras, puderam ser confrontadas com a experiência e foram pela experiência refutadas. Mas ao marxismo, tanto as proposições inverificávis, quanto as que foram refutadas pela prática, funcionam como um sistema religioso. As críticas racionais e a contestação do marxismo pelos fatos, têm sido completamente inúteis em face da eficiência que o sistema tira do seu caráter religioso.

Não se dá com o marxismo o que se dá com os sistemas científicos, que perderam a vigência desde que não mais coincidiram com a realidade: os grandes credos coletivosd não vivem pela fôrça de suas supostas verdades ou erros científicos, e sim pela fé que despertam. O marxismo é uma religião modernizada, isto é, que se apresenta como científica, - e seu principal autor é uma espécie de profeta bíblico, que retoma certos temas do Antigo e do Nôvo Testamento: tem suas noções próprias da catástrofe purificadora, do Juízo Final e da Redenção da Humanidade. É uma religião que, ao contrário das demais (que se fundam em elementos divisnos e transcendentes), está centrada exclusivamente no Homem e cuja finalidade é a ação revolucionária redentora. Sua mensagem consiste em pregar a revolução total, que deve expurgar o mundo de tôdas as alienações que o infelicitam. Para tanto, êste nôvo credo deve fornecer ao adepto e ao iniciado um método seguro de ação, apoiado numa visão "científica" da natureza, da história e da sociedade.

O marxismo está ligado particularmente ao sistema das idéias de Hegel, não só pelo seu método, - que é a dialética da contradição -, - como também pelas suas teses principais; por exemplo, sem a Lógica e a Fenomenologia do Espírito de Hegel, as teses de Feuerbach, de Marx e de Engels, que vieram a constituir o corpo da filosofia marxista, não teriam sido possíveis. O marxismo nasceu como pequena ramificação da esquerda hegeliana. Mas tem suas relações também com os românticos e coma Escola Histórica.

Apesar de serem antípodas, os marxistas de um lado, e de outro os românticos e a Escola Histórica, nem por isso o marxismo deixou de se beneficiar de algumas teses românticas: recebeu, por exemplo, da Escola Histórica, as críticas que esta última dirigiu ao capitalismo, ao individualismo, e a tôda ordem burguesa consagrada pelos economistas clássicos; Marx é contribuinte involuntário do romantismo, pelo ódio que vota à ordem social que estabeleceu o burguês e o proletário e converteu o mundo num mercado dominado pelo dinheiro. O marxismo está ligado também à literatura política anglo-francesa do século XVIII e do comêço do século XIX, que inventou as utopias do pregresso indefinido da espécie humana, e descreveu a rósea felicidade a que êsse progresso devia conduzir a humanidade futura. O marxismo, porém, tira do método de Hegel uma originalidade que lhe permite não se confundir pura e simplesmente com as demais correntes suas congêneres, apesar do seu íntimo parentesco com os materialismos dos séculos XVIII e XIX, a que se dão os nomes de positivismo, naturalismo científico, cientificismo, fisicismo, biologismo, mecanicismo, etc.

O marxismo se distingue em parte de tôdas essas correntes por fôrça de sua procedência hegeliana. Além disso, não trata separadamente a economia, a história e asociologia, senão que as conjuga e as subordina à sua visão do conjunto. Para Marx não teria cabimento considerar no homem o econômico, o histórico ou o sociológico, fora duma perspectiva totalizante. (Graças a êste método, que era o da Escola Histórica e o de todos os grandes sistemas alemães, devemos o não ter-se a história tornado uma simples enumeração cronológica de fatps; não ter a economia sobrevivido como formulário de leis "racionais", desligadas do espaço e do tempo; não ter a sociologia degenerado inteiramente na coleta dos fatos amorfos e das monografias sociográficas, que nada significam fora da visão global que lhes dá conteúdo e forma.) Ao marxismo devemos por isso largamente a manutenção das relações que unem a história e a sociologia. Devemos também, em parte, a formação do método sociológico chamado "tipologia gloval", ou seja, a sociologia compreendida como ciência dos grandes sistemas sociais. Max Weber, fundador principal da tipologia sociológica, não procede só da Escola Histórica, mas também do marxismo.

Pelas mesmas razões, o materialismo de Marx é sui generis; pretende estar em oposição ao idealismo, porém atribui à matéria o princípio dinâmico do movimento dialético, que os idealistas punham no Espírito Absoluto, ou na Idéia Absoluta. è uma derivação do empirismo e do sensualismo, dos quais tira suas afirmações materialistas; reveste porém essas afirmações das categorias da espeiência filosófica alemã. A matéria, para Marx e Engels, não é o que os fisicistas da época consideravam como tal, e sim o conjunto das relações do homem com a natureza e a sociedade; é a totalidade das sensações que formam um jôgo ativo - dialético - entre os diversos ingredientes da sociedade e entre esta e a natureza: para o marxismo, tudo é resultado da experiência sensível, desde os primeiros movimentos físicos do homem até os graus mais elevados da sua consciência, de sua religião e de sua filosofia. Como para todos os sensualistas, também para Marx não há nada mais do que o reino da experiência sensível. (Como se soubessem o que é o corpo, o que são os sentidos e o que é a natureza, os marxistas nos ensinam que tudo não passa dum jôgo dialético de sensações entre o homem e a natureza).

Dialético, materialista e ateu, o marxismo consegue ser uma construção unitária, da qual dizia o comunista Karl Kautsky, que tinha assimilado a experiência econômica inglêsa, a experiência política francesa e a experiência filosófica alemã. De fato, graças à fusão dêsses três elementos e ao seu caráter profético, o marxismo quer ser uma filosofia total do mundo; quer ser a palavra dialética da verdade, o método infalível, e a mensagem suprema da libertação do homem. Marx denuncia tôdas as filosofias anteriores, como alienações e mistificações, inclusive as filosofias materialistas que o precederam; denuncia tôdas as religiões, todos os Estados, as instituições jurídicas, os regimes sociais e econômicos como testemunhos da alienação, da mistificação e da infelicidade do homem. O marxismo se propõe a salvar o homem dilacerado por todo o processo histórico.

Em vários tópicos de sua obra O Capital, Marx enunciou a teoria da última grande catástrofe da histórica, que há de encerrar a história, e que é a catástrofe do capitalismo (por exemplo, no Vol. III, págs. 203 1 205, e em outros tópicos; tradução francesa de Roy, Éd. Sociales, 1950). Quem quer que leia essa poderosa obra, há de encontrar, depois de longos capítulos eruditíssimos e áridos, momentos duma eloqüência e duma grandeza que lembram os profetas bíblicos. Segundo Marx, o capitalismo, que levou a luta de classes ao ponto extremo, desenvolve suas contradições internas até o amadurecimento final do regime burguês, quando então o processo se resolverá na vitória fatal do proletariado e na aparição da sociedade sem classes. Esta profecia está fundad no materialismo histórico, invoca para si um fundamento científico: nasce ùnicamente do exame das leis, ou supostas leis internas do capitalismo, e das suas contradições. O Manifesto Comunista esclarece que, as mesmas armas de que a burguesia se serviu para abater o sistema feudal se voltam agora contra a burguesia. A burguesia, segundo o Manifesto, não se contentou com forjar apenas as armas que a liqüidarão; produziu também os homens que se servirão dessas armas, os operários modernos, os proletários: e o irônico é que a burguesia, justamente por ter criado um contexto social, de que o proletariado é parte integrante, se apresenta, contra si mesma, como classe revolucionária por excelência; depois do fim da burguesia não pode haver outro regime senão o comunismo. A burguesia, segundo Marx e Engels, teve grande mérito de facilitar a revolução internacional, porque é uma classe cosmopolita, que engendra, como contradição interna, um proletariado, também cosmopolita. Burguesia e proletariado, em suma, são classes anti-nacionais; hostis uma à outra, fazem parte do mesmo processo. O processo se põe como afirmação (burguesia) e como negação (proletariado), porque, como ensinava Hegel, cuja Fenomenologia do Espírito Marx transpõe para o materialismo histórico, a realidade do senhor é o escravo, e a realidade do escravo é o senhor. - Dialèticamente, a burguesia gerou o proletariado que a destruirá; mas êsse proletariado, se bem inter´retamos Marx, não é uma simples antíteses da burguesia; sua originalidade, segundo Marx, e o motivo pelo qual essa classe é vista como portadora da revolução total está no seguinte: enquanto nas épocas anteriores as classes dominantes se sucediam no poder, cada qual procurava imprimir à sociedade inteira os seus caracteres próprios, sua visão do mundo, seu estilo de existência. O que era de interêsse da classe dominante se punha nas ideologias como lei eterna, como ordem natural, como princípio divino: foi assim que os economistas clássicos tomaram a ordem burguesa como a ordem definitiva, a mlehor das ordens possíveis; o estilo burguês de vida se tinha tornado algo definitivo, como em outros tempos o estilo aristocrático. Mas oproletariado tem de original, segundo o marxismo, não ser uma classe como as demais, que no passado lutaram pelo poder: não pode nem mesmo ser chamado propriamente de classe; êle não é nada, não tem nada; não tem modo de existência particular; é a negação de tudo quanto já foi categoria histórica, de tudo quanto já foi classe no sentido próprio do têrmo. É o anonimato absoluto, cujo caráter internacional tem como denominador comum se a massa dos oprimidos, dos miseráveis, dos que não têm, nem são nada. Sendo a negação de tudo, o proletariado não pode, como as antigas classes dominantes, querer impor um estilo de vida, que não possui. Por isso, o advento fatal do proletariado, previsto por Marx (fatal, porque dialèticamente inevitável), significará a destruição de tudo quanto existiu anteriormente, de todos os modelos de vida, de tôdas as formas de apropriação da riqueza, de tôdas as garantias de xistência individual. É o estabelecimento, dentro de certo prazo, do coletivismo absoluto. Sendo o proletariado a classe mais baixa das sociedades atuais (está quase ao nível do subterrâneo social chamado Lumpenproletariat), quando êle se levantar, não poderá deixar de abater tudo quanto está acima de si. E, segundo a dialética marxista, não depende da vontade de ninguém impedir essa revolução total: porque a contradição burguesia versus proletariado há de chegar a um ponto em que o capitalismo não poderá sequer manter o proletariado como classe oprimida; em todos os tempos passados, ensinam Marx e Engels, os senhores mantiveram os escravos, pelo menos ao nível da subsistência. Mas o capitalismo tem tais leis internas de acumulação e concentração do capital (longamente estudadas por Marx no fim da L. 1º d'O Capital), que farão com que o proletariado desça cada vez mais na escala social; segundo o Manifesto, a pauperização gradual tornará completamente impossível a subsistência do proletariado no regime capitalista de produção; e nesse dia, a revolução se derá por si mesma.

Acabamos de resumir a profecia segundo a qual o marxismo decreta o fim do regime capitalista: esta profecia decorre, para Marx, duma Lei inexorável, uma lei histórica; ela se realizará de qualquer modo, em função do movimento dialético. Marx e Engels são profetas complexos: concitam o proletariado internacional à luta contra a burguesia e mostram, ao mesmo tempo, que a vitória do proletariado sôbre a burguesia é tão certa e tão necessária quanto necessária e certa foi a vitória da burguesia sôbre a ordem feudal. Não se trata, no marxismo, duma reedição dos profetas dp socialismo sentimental que andavam a procurar idealmente qual seria a melhor forma de sociedade possível; de que modo se poderia estabelecer a harmonia social; como se faria com que o patrão e o operário se entendessem; como abolir a propriedade privada ou tornar proprietários todos os cidadãos, etc. Marx, com o senso crítico dos discípulos de Hegel, ridicularizou todos os socialismos anteriores como formas de frustração e alienação; são socialismos nos quais a classe operária não tomou ainda consciência de sua própria real; representam um momento histórico em que a consciência proletária não está ainda madura; êste momento engendra teorias ridículas, segundo o marxismo, de acôrdo com as quais o problema não seria um problema histórico, e sim uma questão de organizar a sociedade dêste ou daquele modo: mesmo Proudhon, com seu livro Qu'est-ce que la propriété?, no qual responde que a propriedade é um roubo, la proprieté est un vol, foi completamente desmoralizado por Marx. E por quê? Porque, no marxismo, não se trata de pensar ou imaginar a melhor ordem social possível, e sim de descobrir as leis internas, imanentes, do movimento histórico, denunciar suas contradições e descobrir o que fatalmente se dará. Graças a este método dialético, que descobre as leis internas do movimento histórico, Marxs, Engels e os marxistas puderam limpar o caminho de todas os demais socialismo e materialismos, e apresentar o seu próprio socialismo cmo "socialismo científico". O fim da burguesia e a catástrofe do capitalismo podiam ser deduzidos já da Fenomenologia do Espírito de Hegel, onde se encontra a famosa passagem dialética do Senhor e do Escravo: há um momento, em Hegel, em que o Senhor se torna o escravo do Escravo, e o Escravo se torna o senhor do Senhor: ambos fazme parte de um só contexto, no qual cada Têrmo se torna o seu contrário. Só que o proletário, para Marx, não é mais o simples Escravo que se tornará o senhor do Senhor; é algo mais: é a inovação absoltuta, a reconciliação definitiva, o portador messiânico da salvação. Assim, no marxismo, todo o processo histórico terminará com a vitória do proletariado.

BARBUY, Heraldo. Marxismo e Religião. São Paulo: Dominus, 1963. Transcrito das páginas 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 11. Foi conservada a grafia do original.

* Filósofo. Autor do importantíssimo "O Problema do Ser e Outros Ensaios".

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